Tempo para todas as coisas!

Tempo para todas as coisas!

12/03/2019 10 Por Patricia Zapani

Quando era criança, lembro bem que não via a hora do tempo passar voando porque sempre era a mais nova de todas as turmas e aquela sensação era desconfortável pra mim.

A começar pelo colégio: eu estava dois anos adiantada, então quando estavam todos com 7, no primeiro ano, eu tinha apenas 5.

Nas aulas extras de desenho e artes, eu era a única criança com 6, enquanto todas tinham 10.

Na adolescência, me lembro que queria porque queria trabalhar. Minhas amigas tinham 16 anos e estavam no programa do primeiro emprego.

Então, lá fui eu para um teste de dublagem e depois de passar fui dispensada porque descobriram que eu não tinha nem 15 anos.

A vaga exigia registro na carteira de trabalho e nem idade hábil para providenciar uma eu tinha.

Eu nunca entendia porque eu era a mais nova e sempre achava que estava adiantada pras fases da minha vida, então não via a hora de “ficar mais velha”.

Quando finalmente cresci (não de tamanho, porque tenho apenas 1,59 de altura), o tempo começou a voar e “escapar pelas minhas mãos”.

De repente, a sensação de adiantamento se tornou em “atraso”. Um peso de sempre estar “atrasada” pra tudo.

Pra realização de sonhos antigos, pra finalizar a faculdade, pra conquistar a tão falada “estabilidade financeira”, pra casar, afinal já tinha sido madrinha de todas as minhas amigas e elas não viam a hora de ser as minhas…

Achava que estava ficando velha demais e as neuras começaram a bombardear a minha mente. Não tinha percebido, mas a mesma voz de insatisfação “de estar adiantada”, agora estava me dizendo que estava “atrasada”.

Mas sabe de uma coisa: como na medicina, quando alguém fica doente, o médico não trata os sintomas, mas ele estuda o quadro clínico e investiga até chegar à causa, nas nossas vidas nós precisamos fazer a mesma coisa.

Não podemos tratar apenas o sintoma (aquela sensação de estar atrasada/adiantada), mas descobrir a causa.

Então, eu decidi parar tudo, respirar fundo, correr pro médico chamado Deus e mergulhar numa jornada de descobrir dentro de mim a causa daquilo, que parecia algo “normal”.

Mas, minhas amigas, nada que causa peso ou frustração é normal! Não devemos nos conformar com esse tipo de pensamento.

Eu amo um texto da Bíblia que diz: “Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus. Vocês serão mudados de dentro para fora. Descubram o que Ele quer de vocês e tratem de atendê-lo. Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível de imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade”. (Romanos 12:2 / A Mensagem)

O texto é autoexplicativo, mas tenho aprendido a viver ele na prática diariamente.

Descobri que uma das causas dessa sensação de “atraso” era a comparação, movida por insegurança de “metas” criadas pela nossa cultura. Mas pera, quem foi mesmo que criou a nossa cultura?

Nós somos seres pensantes, porém, por vezes nos tornamos escravos de pensamentos pré-definidos que são promovidos pela cultura dominante.

Pensamentos que só nos causam distrações e frustrações. Perdemos tempo e energia nos culpando, nos comparando e alimentando sentimentos ruins por nós mesmas.

A gente vive numa sociedade que fica igual aos memes das tias chatas que ficam: “e os namoradinhos? E quando é o casamento? E os filhos?”

Sem perceber, nós mesmas fazemos isso conosco porque chegamos a acreditar que somos as nossas “conquistas”.

Aí se a vizinha trocou de carro duas vezes e você nem comprou o seu primeiro, já vem a “culpa” de estar “atrasada”. Mas quero dizer que isso é uma grande MENTIRA!

Quem foi que estabeleceu esses “prazos”? Quem foi que disse que se você chegar aos 30 e não estiver em um lugar “X” você será o exemplo de uma “fracassada”?

Isso mesmo que você pensou: as mídias que são responsáveis por promover uma cultura pobre de amor e respeito.

Cada vez mais temos visto as coisas mudarem, mas a mudança começa na nossa cabeça, em nós mesmas, de dentro pra fora!

Precisamos entender que há tempo para todas as coisas, mas que o tempo para nós não é necessariamente o mesmo tempo que para a nossa melhor amiga.

Cada uma tem um ritmo e uma jornada. Respeite o SEU TEMPO!

Quando nos comparamos ofendemos Àquele que nos criou. Quando nos comparamos damos espaço pra insegurança.

Quando nos comparamos alimentamos uma competição desnecessária.

Como o texto de Romanos fala: seremos mudadas de dentro para fora, mas essa mudança não acontece do dia pra noite, ou da noite pro dia.

É um processo. E como todo processo, requer tempo, disciplina e principalmente perseverança.

Mudar a nossa mente é definitivamente um dos trabalhos mais árduos da vida, mas sabe de uma coisa?! Vale muito a pena!

Vale a pena entender que podemos ter uma mente saudável e livre de medos e inseguranças.

Vale a pena entender que não estamos numa competição, mas que a vida é digna de ser vivida com calma, leveza e alegria.

Vale a pena desfrutar de cada pedacinho da jornada sem o peso de estarmos “fora do tempo” ou a sensação de que “o tempo está fugindo das nossas mãos”, afinal, não temos o controle dele!

Eu definitivamente estou no meio desse processo de ser mudada de dentro pra fora (que provavelmente vai durar toda a minha vida), mas posso te garantir que: você não está atrasada!

Não importa quantos anos você tenha, você pode recomeçar quantas vezes forem necessárias! Pare tudo o que você está fazendo e repense em que, em quem e como você está investindo seu tempo?

Eu nasci única, como você, e o tempo não é nosso inimigo. Quando vivemos com a nossa mente renovada, concentrando nossas forças e atenção em Deus, no propósito das nossas vidas, o tempo se torna nosso aliado.

Existem sim fases pré-determinadas pro desenvolvimento humano, mas a maioria das outras, que nos levam à maturidade e extraem nosso melhor, não.

Portanto, relaxe e lembre: há tempo pra todas as coisas. Então, desfrute a fase que você está vivendo hoje e faça o seu melhor!

Com amor,

Patty Zapani