Ser invisível x Ser relevante

Ser invisível x Ser relevante

16/07/2019 2 Por Jaqueline Reis
Invisível ou relevante: quem eu quero ser?

Parece uma questão muito complexa, mas pode se tornar simples se você colocar princípios, valores e um propósito a frente.

Eu poderia fazer uma lista aqui de homens e mulheres relevantes, mas imagino que se você se interessou por esse tema no blog (ou se o algorítimo te trouxe até aqui) é porque procura um exemplo mais próximo da nossa realidade.

Natália Avelar – jovem empreendedora que sonha ter uma marca forte que valoriza as mãos das pessoas

 

Tá vendo o brilho nos olhos e o sorriso largo desse mulherão? É de alguém que teve coragem de sair da zona de conforto pra conquistar o próprio espaço.

A Natália Avelar é formada em gestão de moda. Desde pequena gostava de criar e tinha um carinho especial pelo artesanato, mas como era um ramo pouco explorado na época em começou a carreira decidiu seguir a onda do “fast fashion”.

No ínicio, foram 5 anos trabalhando em grandes marcas, conhecendo o mercado, observando, fazendo e, principalmente, vivendo experiências na indústria da moda.

Mesmo trabalhando em boas empresas, a maneira como o sistema em grande-escala funcionava começou a incomodar. Além da rotina de escritório – que nunca foi o perfil da Natália – saber que o valor repassado para o criador da peça era insignificante entrou pra lista. Produtos de baixa qualidade, em que se paga pouco e vende por muito.

Foi então que ela voltou a pensar nos desejos de infância: abrir o próprio negócio e ir na contramão.

Durante as férias, fez uma viagem missionária no Equador que mudou a vida dela. Conheceu mulheres em situação de vulnerabilidade (tráfico e prostituição) que tentavam sair daquela situação através da moda. Toda a renda arrecadada com os produtos vendidos era revertida para as mulheres e para o projeto.

Voltou para o Brasil inspirada. Alguns meses depois, pediu demissão e montou a própria marca. Começou com um modelo único de bolsa. A primeira tinha muitos erros, mas ela usava mesmo assim. “Pra saber o que iam dizer”, ela conta. E a estratégia foi positiva. “As pessoas gostavam muito, mesmo sem saber que estava cheia de defeitos. Então comecei a vender”, diz rindo.

Fechar parceria com uma costureira amiga foi uma “mão na roda” e também ajudou a aperfeiçoar o produto.

“As costureiras estão acostumadas a receberem muito pouco. Não vou dizer que eu tinha condições, ou tenho, de pagar muito pra ela, mas eu sabia que o preço que ela estava me pedindo era muito pouco. Fechei um valor que achei mais justo. Pago pra ela até hoje e ela faz todos os acabamentos. Só coloco a alça porque faço do jeito que eu gosto”, explica.

Com produtos melhores, Natalia começou a vender através do Instagram. A Tropicalina é 100% artesanal com crochê e bordado. As vendas aumentaram, mas o desafio continuou: manter o foco em peças para o varejo.

Na jornada da Natália fazer mentoria de negócios foi muito importante e nesse processo estruturou um projeto e conseguiu um espaço para fazer o que gosta.

Em agosto de 2018 começou a ensinar mulheres gratuitamente. Dava o fio, pagava a condução de algumas e elas produziam as peças que aprendiam. O que era produzido era vendido no insta da marca e o valor repassado pra elas.

O projeto começou com 10 mulheres (em diversas situações vulneráveis), no fim do ano eram três.

Com essa experiência aprendeu que não dava pra abraçar o mundo e talvez não fosse a melhor forma de empregar aquelas mulheres. Hoje ela trabalha com apenas uma e tem um plano melhor elaborado.

“Atualmente faço trabalho voluntário com uma ONG que ajuda mulheres na prostituição que querem sair dessa situação – e também com algumas que não querem. Não ensino. Entendi que preciso entender a área social pra poder trazer essas mulheres em situação de alta vulnerabilidade pra perto.”

A Tropicalina continua. Agora passa por uma reestruturação e reposicionamento de produto. A jornada foi difícil, financeiramente falando, mas a jovem empreendedora conseguiu se reerguer e vender melhor usando estratégias de marketing, ajuda de amigos, assistindo workshop, procurando apoio no SEBRAE.

“Não me arrependo em nenhum momento da escolha que fiz. Precisava correr esse risco de sair da minha zona de conforto de um salário fixo que não me trazia alegria pra algo que realmente me satisfaz”

E assim, buscando ter o DNA artesanal e, acima de tudo valorizando as pessoas, que a Natália se tornou relevante na vida de muitas pessoas.

E você? Qual é o seu sonho? Quem você quer ser? Quem segue o fluxo ou quem faz a diferença?

Conta pra gente qual a sua motivação… A sua história pode ser o que faltava para ajudar alguém a tirar o plano da cabeça.