Inverno: O pior frio é a indiferença!

Inverno: O pior frio é a indiferença!

23/06/2016 0 Por Patricia Zapani

Entramos na estação mais congelante do ano. Sim, apesar do frio ser um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas, só na segunda-feira o inverno começou oficialmente.

Todos dizem que amam o frio porque todos ficam mais elegantes. É verdade! Concordo super com isso. Mas experimenta ir lá fora agora ou então segurar o corrimão do ponto de ônibus. :O

Desde 1964 não fazia tanto frio em São Paulo. Paulistanos com menos de 22 anos de idade nunca viram nada igual.

Com a chegada do frio, os mais afetados são aqueles que muitas vezes são invisíveis para a sociedade: os moradores de rua.

Domingo à noite, eu estava voltando para casa e vi um senhor jogado com a cara na terra, literalmente, em uma pracinha perto de casa, e levei um susto.

Não por ele estar naquele estado, mas porque quatro pessoas estavam do lado ignorando a existência dele.

Eu e um outro rapaz começamos a chamá-lo porque ele estava respirando, então provavelmente estivesse apenas dormindo.

Antes de acordar, meu coração começou a doer, como se tivesse perdido alguém.

Lembrei da dor da perda do meu pai, há alguns anos, e segurei as lágrimas porque aquele senhor finalmente abriu os olhos.

Ele estava embriagado, mas, em lágrimas, conseguiu nos contar que está na rua há dois meses.

A esposa faleceu de câncer e ele perdeu tanto o chão que doou TUDO, entregou a casa de aluguel onde moravam, abandonou o emprego, pegou uma mochila e saiu sem rumo.

Na hora eu entendi que a dor que eu estava sentindo antes dele acordar era a mesma que o Sr. Vanderley tem sentido há dois meses.

Fiz uma oração por ele e juntos sentimos o amor de Deus vindo trazer consolo e esperança.

Aquele senhor que antes mal conseguia abrir os olhos estava ali, diante de mim, sentado firmemente, olhando pra mim e dizendo: “Obrigado, minha filha. Obrigado!”.

Meu coração nessa hora apenas transbordou de amor!

Ligamos para o 156 e a Prefeitura enviou uma van para buscá-lo e levá-lo ao abrigo, onde prometeram dar comida e uma cama quentinha pra ele passar a noite.

Com essa experiência, a pergunta que ficou foi: quantos Vanderleys estão por aí, passando frio e sendo ignorados por nossa indiferença?

Gostaria de fazer infinitamente mais por ele e por tantas pessoas que estão na mesma condição. Mas aprendi na prática o que Pedro (o discípulo de Jesus) disse em Atos 3:6: “não tenho um centavo para dar a você, mas vou dar o que tenho”.

Mais do que o Sr. Valderley, eu fui abençoada! Meu coração foi tocado! Tive a chance de amar alguém. Quer maior bênção que essa?

Que tal começarmos a dar o pouco que temos e deixarmos nossa indiferença de lado?

Que tal chamarmos os amigos e sairmos pra dar chocolate quente e uns sanduíches para esses moradores de rua?

Que tal arrecadarmos as roupas que estão só ocupando espaço no armário e entregarmos a ONGs que fazem isso?

Ou se apenas perguntarmos a eles se querem passar a noite em um abrigo e ligarmos para o 156?

Em São Paulo existem 79 centros de acolhida e 13 abrigos emergenciais que oferecem mais de 11 mil vagas.

Basta acionar a Prefeitura que algo será feito!

Lembre-se: o frio passa, o amor fica!