Mais amor, por favor.

Mais amor, por favor.

19/03/2019 0 Por Adriana Araújo

Uma preocupação tem crescido em meu coração nos últimos tempos. Vivemos uma falta de amor ao próximo, principalmente diante dos últimos acontecimentos, tantas tragédias envolvendo adolescente que me tira o sono.

Me preocupo, pois sou mãe e percebo que não estamos preparados para lidar com tudo isso. Em não estar atenta a possíveis sinais de socorro que nossos filhos podem dar e, com toda a correria do dia a dia, podem passar despercebidos.

Vivemos na era digital com tantos atrativos que perdemos muito tempo navegando.

Tanto nós que por consequência deixamos de dedicar esse tempo com maior qualidade aos nossos filhos, quanto eles que se perdem em meio a vídeos, jogos, séries e outras coisas que nem sabemos.

Esse excesso de internet pode influenciar nossas crianças a muitas coisas. Não estou dizendo que a internet é de todo mal, mas cabe a nós dosar quanto tempo deve ser dedicados a ela. Nela podemos espalhar o amor, mas também é possível incitar o ódio, rancor e violência. É com ela também que muitas vezes alguém que num quadro de depressão se depara com a “triste realidade de sua vida” e afunda-se ainda mais, afinal de contas tudo na internet é perfeito.

As doenças psicossomáticas têm crescido em todas as faixas etárias, mas entre crianças e adolescentes os números são alarmantes.

A Organização Mundial de Saúde apresenta a depressão como principal problema de saúde para adolescentes, onde muitos chegam a cometer suicídio.

O apoio que precisam para enfrentar essa barra nem sempre encontram em casa, com os colegas ou na escola. Não encontram, pois, muitas vezes os pais não estão preparados para dar ou nem percebem a necessidade, os colegas não entendem e nem são instruídos para tal, e as escolas precisam investir muito nesse quesito para atender a grande demanda.

Existe ainda muito preconceito para esse tipo de doença, afinal de contas “é frescura”, “é só brincadeira”, “só quer dormir”, “é normal”.

Não! Infelizmente não é normal, não é frescura e nem deve chegar a ser. Depressão é coisas séria, nossa saúde emocional é de extrema importância assim como a física, uma interfere na outra. Devemos ser mais humanos e nos preocupar com a dor do outro, PRINCIPALMENTE se o outro depende do nosso amor e cuidados direto.

Achamos que quando damos de tudo aos filhos estamos fazendo nosso melhor, mas nada disso supre a necessidade de TEMPO.

Isso mesmo, tempo.

Tempo para abraçar, beijar, falar que é importante, assistir filme, deixar dormir na sua cama, tomar um sorvete, dar uma volta na praça. Tempo também para dividir as tarefas de casa, arrumar o próprio quarto, separar roupas e brinquedos que não usam para doação.

Tempo para conversar, saber se tem algo que incomoda na escola, se ele entende que ser amigo é estar disposto a ouvir sem julgar e estender o ombro quando o amigo precisar. Oferecer um abraço, um sorriso, se relacionar verdadeiramente com as pessoas.

É muito importante que tenham alguém para se abrir, e nem sempre pai e mãe são esse alguém, as vezes um tio, professor ou colega, e nessa hora cabe respeitar.

E o respeito também é fundamental para criar a confiança necessária em qualquer relacionamento. É assim que aprendemos que cada um tem seu limite, e quando ultrapassado, causam muitos males, inclusive a perda de confiança.

Na dificuldade de compreensão, podemos simplesmente agir com amor. Mais amor sim, por favor.

O amor vai ajudar a impedir que atinja esse nível, vai ajudar a superar e a recomeçar.

Quem ama cuida, e quem cuida dedica tempo de qualidade e cura essas e muitas outras enfermidades do corpo, alma e coração.

Que possamos amar mais e quem sabe impedir que os índices de depressão aumentem.

Mais amor, por favor!