cara-delevigne-approval-advice

Cara Delevingne: aprovação não é a coisa mais importante

“Don’t worry, be happy ❤️ Embrace your weirdness 💥 STOP LABELLING, START LIVING 😘”

No bom português, “Não se preocupe, seja feliz. Abrace sua estranheza. Chega de rotulagem, comece a viver 😘”. Essa é a descrição que a famosa modelo Cara Delevingne faz dela mesma em sua conta no instagram.

Depois de enfrentar problemas como a psoríase, querer sempre a aprovação dos outros e não se sentir genuinamente feliz, Cara decidiu parar um pouco sua carreira na moda e se dedicar a outras coisas.

Como um desabafo, a modelo e atriz escreveu um texto no blog Motto, da revista Time, falando um pouco sobre os bastidores de sua carreira, que me levaram a repensar  muitos valores que adotamos na jornada do tão esperado “sucesso” em nossas profissões.

Cara começa contando que começou aos 16 anos na carreira que “um milhão de garotas matariam pra estar”, e que, mesmo tudo conspirando contra ela, não desistiu e depois de um tempo conquistou estabilidade na profissão.

“Eu sentia que precisava da validação de todo mundo. Como resultado, eu perdi de vista eu mesma e o que significava ser feliz, o que significava ter sucesso. Acho que tudo resultou de um profundo sentimento de querer que as pessoas me amassem e gostassem de mim. Você simplesmente sente que está constantemente desapontando os outros, e de repente há esse momento em que você pensa ‘Pera, o que estou tentando fazer? Por quem eu estou fazendo isso? Com o passar do tempo, eu entendi que o trabalho e conseguir a aprovação dos outros não é a coisa mais importante. Sim, sua carreira é muito importante -mas não é a coisa mais importante. Claro que eu estava orgulhosa das minhas conquistas, mas não estava genuinamente feliz. Levou tempo, mas agora eu entendo que trabalho não é tudo e sucesso vem de muitas formas. Estou gastando mais tempo fazendo as coisas que amo. Abri minha cabeça e agora abraço coisas novas com a curiosidade de uma criança. E estou sendo capaz de fazer um trabalho melhor por causa disso. Não importa quantas pessoas gostam de você e do seu trabalho, isso não vai importar se você não gostar de quem você é.”

Confesso que li o texto mais de uma vez e, por muitas vezes, senti que eu já fui essa pessoa em busca de aprovação dos outros. Não apenas no trabalho, mas na vida. Já me senti muitas vezes perdida mesmo estando no caminho. E quem nunca? O que eu mais consegui enxergar nas palavras da Cara é que a grande tragédia da nossa geração pós-moderna é a falta de identidade, e a consequência disso é a busca de aceitação.

Ao passo que buscamos a liberdade, nos tornamos prisioneiras. Prisioneiras dos outros, prisioneiras de nós mesmas. Poderia falar de muitas questões aqui, mas pensei muito na questão do trabalho.

Desde que começamos a definir nossa identidade, somos bombardeadas por informações. Pela publicidade, dentro de casa, na escola… Aí a gente cresce, descobre que gosta mais de exatas, ou de humanas, faz um curso superior, chega ao mercado de trabalho e tcharan: lá estamos nós na corrida pelo “sucesso”. Muitas vezes nem sabemos se aquela é a profissão que queremos mesmo, mas estamos lá, usando o trabalho para mascarar a nossa falta de identidade. Fazemos algo para “ser alguém”.

Como a Cara, queremos ser amadas e aceitas. Nessa jornada, começamos a lutar loucamente para chegar à aceitação. Deixamos a nossa essência. Deixamos de passar tempo com quem amamos. Deixamos de fazer o que amamos, porque acreditamos que o que mais amamos realmente é a nossa profissão. Ou pior, deixamos de saber o que realmente amamos e quem realmente somos. De repente, percebemos que o tempo passou, conquistamos o que buscávamos e descobrimos que mesmo quando somos “aceitos”, o vazio ainda nos perturba.

E a pergunta, da qual não podemos fugir, volta a nós e nos nocauteia. Quem somos?

Quem somos pra valer não é o que somos diante dos outros. Somos o que está dentro de nós e mais ninguém consegue ver. Somos os nossos valores. Somos as nossas crenças. Somos aquilo que ninguém vê quando estamos a sós no nosso quarto.

Não temos que ser para fazer. Temos que ser e o resto será consequência. Não, não estou dizendo para não sermos disciplinadas e focadas. Mas que a disciplina e o foco vão nos ajudar a ir além desde que saibamos quem somos, nos aceitemos, nos amemos e estabeleçamos valores inegociáveis.

A vida não é só trabalho. A vida é uma jornada incrível. A vida é um processo. A vida é uma experiência única, como eu e você.

Identidade tem a ver com o fato de entender que somos ÚNICAS. Não há mais ninguém no mundo com meu DNA. Ninguém mais tem as mesmas características que eu. Por que não me conhecer melhor e me aceitar? E a partir daí, da segurança de quem eu sou, passar a fazer algo, seja na área profissional ou não?

Pare tudo o que você está fazendo e se pergunte: quem sou eu? Por que estou aqui? Por que faço o que faço?

Uma vida sem propósitos termina em solidão e frustração.

Que tal se a gente fizer como a Cara, gastar mais tempo fazendo o que amamos, abrir a cabeça e abraçar coisas novas com a curiosidade de uma criança?

Tentar agradar os outros, chegar ao sucesso, deixar de lado o que realmente acreditamos pode nos levar a certos patamares. Porém, como disse a Cara, “não importa quantas pessoas gostam de você e do seu trabalho, isso não vai importar se você não gostar de quem você é.”

Descubra quem você é! Seja você! Se importe com o trabalho, mas não apenas com ele. Afinal, trabalho não é tudo!

Um comentário sobre “Cara Delevingne: aprovação não é a coisa mais importante

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.