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“Para quem não gosta só de usar batom, Vermelho é a peça perfeita!”, disse Antônio Fagundes em entrevista ao #NãoéSóBatom

Na última quinta-feira, 18, Antônio Fagundes conseguiu um tempinho na agenda para conferir a exposição fotográfica em homenagem à peça “Vermelho”, em que atua com o filho, Bruno Fagundes.

O ator, que também está no ar em “Velho Chico”, novela da Rede Globo, esteve no Paris 6, na região central da metrópole paulistana, e nos deu uma entrevista exclusiva!

 

NÃO É SÓ BATOM: Vamos começar falando do espetáculo “Vermelho”, que reestreou no último dia 11 no teatro Tuca, aqui em São Paulo.

FAGUNDES: A peça é um espetáculo bastante intenso e eletrizante. É uma relação de conflitos de gerações, relação pai e filho, mestre e discípulo. Fala de uma história real, um pintor que, em sua época, foi considerado o maior do mundo em um momento de crise.  O personagem tem um humor ácido, então o público ri muito também.

 

NÃO É SÓ BATOM: O Paris 6 é conhecido por apoiar artes e, principalmente, o teatro. “Vermelho”, que é estrelada por você e seu filho, foi a peça eleita da vez. Como você se sente?

FAGUNDES: A exposição no Paris 6 é um gesto de carinho do Isaac Azar, que é o dono do restaurante, porque sabemos que ele gosta muito do espetáculo. A forma carinhosa dele de mostrar isso foi promovendo essa exposição com alguns momentos da peça.

 

NÃO É SÓ BATOM: Você interpreta o pintor norte-americano Mark Rothko (1903-1970), ícone do expressionismo abstrato. Fala um pouquinho da experiência de interpretar esse personagem.

FAGUNDES: O que interessa nesse personagem é a personalidade forte e o humor muito característico. Mark Rothko é um homem que, na sua época, revolucionou as artes em contato com uma juventude que não tinha compromisso com nada. Então acontece um encontro de duas gerações. O texto brilhante é de John Logan, que é um autor que a gente conhece há muito tempo, mas não lembra (coautor de grandes produções cinematográficas, como 007 – Operação Skyfall). Ele tem uma belíssima carreira no teatro e eu considero ‘Vermelho’ um de seus melhores textos. Está sendo muito bom fazer esse personagem tão rico, em um espetáculo tão bonito, com um cenário e uma luz maravilhosa, e a direção do Jorge Takla.

 

NÃO É SÓ BATOM: A trama se passa no final dos anos 1950 e o embate geracional começa quando Mark recebe em seu ateliê nova-iorquino seu novo assistente, que é interpretado por Bruno, o teu filho. Existe uma metalinguagem de passagem de bastão do Antônio para o Bruno também?

fagundes_pai_filhoFAGUNDES: De certa forma já estou passando o bastão. Espero continuar um tempinho. Podemos sobreviver, ficar juntos durante um período, mas existe a passagem do bastão. É bonito e acho que deve ser interessante para o público perceber que algumas coisas que estão acontecendo em cena, podem estar acontecendo na vida daqueles atores, mas de uma forma mais harmoniosa. Os personagens se digladiam muito violentamente em cena e isso não acontece com a gente. De qualquer forma, sim, existe uma metalinguagem de que é uma passada de bastão, uma relação de pai e filho conflitada, uma relação de mestre e discípulo, um embate de gerações. Apesar de serem duas gerações radicalmente opostas, a peça tem um momento de encontro geracional muito bonito. O texto é muito rico por isso, porque faz menção a tudo isso.

 

NÃO É SÓ BATOM: Vermelho é uma peça bastante interativa e vocês têm investido bastante em acessibilidade e inclusão social, não é mesmo?

FAGUNDES: Estamos fazendo muitas coisas diferentes com esse espetáculo. Começamos abrindo o ensaio para o público desde a primeira leitura do texto. Pelo menos umas 300 pessoas acompanharam nosso processo de criação durante dois meses, o que, para nós, foi muito interessante. A outra coisa que estamos fazendo, que também é muito divertida, é a abertura dos bastidores. Quem estiver interessado em conhecer um camarim e ver como é o cenário por trás, tomar um cafezinho com a gente, trocar idéias sobre o espetáculo, pode adquirir um ingresso especial. São apenas 10 por dia, mas quem quiser pode adquiri-lo.

Depois do espetáculo fazemos um bate-papo com a platéia todos os dias e leiloamos o quadro que é pintado durante a peça. É bem divertido. A platéia se diverte bastante.

E no último sábado de cada mês, temos sessões especiais com intérprete de Libras, Língua Brasileira de Sinais, e audiodescrição, para deficientes visuais. 

 

NÃO É SÓ BATOM: Fica a vontade para fazer seu convite ao público.

FAGUNDES: Se o público quiser conhecer um pouco desse universo é só chegar um pouco antes ao Tuca e conferir a exposição, no saguão do teatro, sobre o mundo e o universo onde a peça se insere. Temos muitas novidades. Para quem não gosta só de usar batom, é a peça perfeita!

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