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O esporte mudando vidas

Encerramos neste domingo os Jogos Olímpicos Rio 2016 em grande estilo. Foram 17 dias com espírito olímpico por toda parte. Vibramos a cada disputa, acompanhamos cada atleta com sua garra e confiança naquilo que faz de melhor, superando a si mesmos em cada competição. A vitória nem sempre tem o resultado esperado, mas com certeza a superação falou alto ao coração de cada atleta.

São tantas histórias de treinamento, foco e determinação que nos empolgam e sentimos na pele a pressão de estar ali em busca de uma medalha, do reconhecimento por todo o trabalho de uma carreira inteira.

Ouvimos muitas histórias da capacidade do esporte em mudar a vida de uma pessoa, assim como da primeira medalhista do Brasil nessa Olimpíada, a guerreira Rafaela Silva.

Mulher, negra e vinda de uma comunidade carente da Cidade de Deus, a judoca sofreu muito preconceito. Graças a força daquilo que ela faz de melhor ela deu a volta por cima e se consagrou com o primeiro OURO brasileiro, mas principalmente com a reafirmação de sua força e determinação depois de uma fase ruim. Com respeito a sua história e aqueles que a ajudaram a vencer cada obstáculo, a judoca ganhou não só uma medalha, ganhou respeito merecido por todos os seus feitos.

Diferentemente da criança briguenta que não levava desaforo para casa, carente sim, mas que teve uma oportunidade e através do esporte conquistou o reconhecimento merecido.

O esporte é assim, capaz de tirar uma pessoa de maus caminhos  com princípios baseados no respeito, foco e determinação. Respeito esse tão levado a sério que um atleta foi excluído de sua delegação por se recusar a cumprimentar o adversário após perder a disputa. O atleta egípcio foi mandado de volta para casa depois da deplorável cena.

Um evento desse porte, e o esporte em sua essência, preza pelo respeito independentemente de com quem competimos. As vitórias são o alvo, mas é preciso saber perder, e aprender a cada derrota que é possível melhorar e superar os momentos difíceis.

Ajudar o outro como fizeram as atletas americana Abby D’Agostinho e a neozelandesa Nikki Hamblim. Elas tiveram um acidente no percurso da corrida, e ao invés de fechar os olhos para o problema alheio, afinal de contas estavam competindo, se ajudaram.

Ao se chocarem, a americana caiu e se machucou, mas foi amparada e ajudada por sua adversária Nikki. Ambas seguiram juntas e chegaram ao fim, e mesmo não vencendo, conquistaram o reconhecimento pelo “espírito olímpico” como chamaram. Ao final, ambas receberam uma medalha de Fair Play que é concedida a atletas que, por alguma razão, representam o verdadeiro espírito olímpico. Apenas 17 atletas já receberam essa honraria, Vanderlei Cordeiro de Lima o brasileiro que foi agarrado por um padre irlandês quando liderava a maratona da Olimpíada de Atenas está nesse número.

Existem aqueles que descobrem o esporte pelo gosto, pois sabem que é o que querem para sua vida, mas também tem aqueles que o buscam pela necessidade assim como a comovente história do brasileiro Erlon Souza canoísta que se descobriu na modalidade pela necessidade de comprar um caderno.

Erlon tinha dez anos, e o caderno que usava já estava no fim e sua mãe não tinha condições de lhe comprar um novo. Sua família humilde não chegou a passar necessidades, mas ainda assim não tinha luxos. Foi assim que, aos 10 anos, arrumou um trabalho que de certa forma lhe apresentaria o esporte.

Trabalhando como tirador de areia, remando de um lado para outro do rio, uma vez viu outros garotos treinando canoagem e esse foi só o início da história de superação do rapaz.

Grande prova de superação é toda uma delegação de refugiados, que em meio a tantas dificuldades encontrou no esporte um refúgio.  A síria Yusdra Mardini precisou nadar pela própria vida quando seu barco virou no Mar Egeu.

Quedas, lesões, decepções podem fazer parte da trajetória no esporte, mas com certeza servem como combustível para a superação. Nem sempre é possível vencer, mas o desafio vale a pena.

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